Ser - Tão Forte;
A navalha que corta a pele do suicida é luminosa;
Luminosa como sol, o suicida não é forte como o sol do norte;
E não tem visão de um sertanejo sofrido,
Mas que não se entrega ao corte de uma navalha,
Pois agüenta o sol sob ele com o peso nas costas,
Agüenta, e suspira de pensar que a noite tem moda de viola, tem dança colada com Maria, tem cor de catopé, batuque, macule lê, tem Zanza e homenagem, tem também muita molecagem, tem força, muita força suficiente para resistir à navalha e espera até a noite a lua brilhar e começar a viola tocar pro povo se animar.
02 de setembro de 2010 – 08h20min
E a prosa não tem hora de acabar,
Os avôs e os netos reunidos falam de lendas e tomam quentão,
A viola toca o que diz o coração,
E que não se mostra na expressão,
A viola tem corda o coração não,
A sandália de couro que pisa o chão no ritmo da sanfona que não para não,
Já é alta madrugada a viola se acalma e o som que ecoa e como cantiga de ninar,
Vão indo todos para casa,
Pois assim que a lua se transformar,
Já e hora de levantar e sentir a navalhar cortar,
Mas jamais se entregar, porque a noite tem mais dança, tem mais vida e história pra contar.
02 de setembro de 2010 – 09h01min
COSTA, Ariele Rezende.
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