Dama
Destruí os sonhos tão belos que sonhei ao seu lado, dama.
Peço aos céus que me levem em sua imensidão,
Pois, já de nada me presta a vida.
Se o amor da amada eu não tenho,
O meu martírio é ferrenho,
Como a sina dos escravos.
Meu pardo olhar fita a donzela, a qual amo
Mas ela foge com seus lábios de meus carinhos.
E meus caminhos são tortuosos como os de um anjo caído,
Que sob suas asas abriga o desejo dos amantes, dos mortais.
E a manhã nasce estrelada ao ver os seus olhos brilharem,
Eles transfiguram a luz criadora que habita o infinito,
E, mais bonito semblante não há, alem dos seus.
E cada vez que devaneio em imaginar-te descoberta
A pulsante virilidade rebela-se e se ergue soberana
E as membranas? Nada são...
Apenas urgem em desejo por sua carne.
A solidão de outrora é preenchida com a luz claríssima
De um olhar que abriga o que há de mais belo na juventude:
A beleza sincera, o olhar penetrante, excitante
Fruto de uma rainha amalgama de anjos e homens.
Atrás de cédulas escuras, o olhar faiscante,
A mulher fascinante que abriga o parnaso longínquo
E a nuvem clara reflete a sua face feminina
E mordaz, fatal como o encanto da serpente do éden.
E apocalipticamente minhas palavras secam como folhas no outono
Pois jamais poderiam elas refletir a pulsante e verdejante paisagem
Que acolhe esses seus olhos tão misteriosos
Humanos
Divinos
Leves
Herméticos
E belos.
Autor: Misterioso – Dedicado à Ariele Rezende.

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